Projeto Memórias Arquitetônicas de Três Corações quer sensibilizar comunidade

March 8, 2010, by Paulo Morais - No comments yet

Se a cidade preservar sua arquitetura histórica, estará ficando presa ao passado? É possível chegar ao desenvolvimento sem perder de vista a identidade arquitetônica? O novo e o velho podem coexistir? Perguntas como esta embalaram a discussão que resultou no projeto Memórias Arquitetônicas de Três Corações, aprovado no edital 2009 da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e que, agora, está em fase de captação de recursos. O vídeo abaixo foi realizado para sensibilizar a comunidade e o empresariado local sobre a importância do projeto.






Muita gente ainda não consegue perceber a importância da preservação da arquitetura. Não por acaso vários casarões antigos estão sendo derrubados no centro da cidade ou ficam escondidos atrás dos outdoors de lojas de quinquilharias e eletrodomésticos. Embora Três Corações tenha uma rica arquitetura histórica, pouco é feito para preservá-la. No caso dos bens públicos, como os imóveis da Rede Ferroviária, a Ponte dos Boiadeiros e a Colônia Santa Fé, o completo abandono é a principal ameaça à preservação.

O projeto prevê a realização de uma ampla pesquisa documental e de história oral sobre a arquitetura local, envolvendo casarões e edifícios públicos. Será redigido um livro ilustrado que retrate a riqueza do patrimônio histórico tricordiano, mesclando o que ainda existe com o que já foi derrubado.



Teia Regional mobiliza os Pontos mineiros; Sensação geral é de dever cumprido

March 1, 2010, by Paulo Morais - No comments yet

Terminou agora há pouco o 3º Fórum Regional dos Pontos de Cultura, a Teia-MG, que reuniu 72 Pontos do estado para, dentre outras coisas, discutir propostas a serem levados no fórum nacional, que acontece no fim de março, em Fortaleza (CE). A sensação final de todos os participantes foi de superação de alguns problemas que envolvem o programa Cultura Viva, do MinC.


Primeiramente, uma questão que vinha incomodando bastante a Viraminas: o atraso no processo de conveniamento dos Pontos recém-aprovados no edital 2009. Ontem, este tema foi recorrente nas mesas de discussão que se formaram. Pela manhã, os pontos participantes do evento foram agrupados pelas regiões do Estado. O Sul de Minas estavam com apenas três cidades representadas: Três Corações, Cristina e Liberdade. A discussão acabou um pouco esvaziada, mas foi uma boa oportunidade para conhecer melhor o que acontece por aqui.

O Ponto de Cultura Artes para Todos, de Cristina, trabalha com artesanato e geração de renda para a comunidade. Dentre as atividades do grupo, estão oficinas de capacitação para radiodifusão. O detalhe é que o Ponto comprou equipamentos mas, pela falta de concessão, não pode transmitir uma programação. Ou seja, ensina-se para depois não praticar. Culpa da legislação das comunicações no Brasil, que emperram os trabalhos comunitários em prol dos poderosos.

O Ponto de Cultura e Sustentabilidade, de Liberdade, envolve trabalhos na zona rural da cidade. O projeto nasceu de um grupo de amigos que fundou uma eco-vila e vai trabalhar ações voltadas para a economia solidária. Está no grupo dos pontos que aguardam a assinatura do convênio. Estes dois projetos se juntaram ao Museu da Oralidade, o nosso ponto, para debater os assuntos do Fórum.

À tarde, os grupos foram divididos por proposta temática. O Museu da Oralidade se uniu ao pessoal dos pontos de cultura de matriz africana, de patrimônio imaterial e culturas tradicionais. Como havia uma presença maciça de pontos recém-aprovados, o tema do atraso no conveniamento acabou sufocando a discussão sobre a temática do grupo de trabalho. Por um lado, isso esvaziou o debate, mas, por outro, resultou numa resolução importante: a redação de uma moção pela agilização das assinaturas dos convênios.

Hoje, foi formada a Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, com o objetivo de organizar o próximo encontro anual e de articular a relação entre os pontos. Essa questão foi amplamente salientada pelos pontos dos editais mais antigos, que ressaltaram a importância de fazer a rede funcionar, o que não vem acontecendo. Uma conquista para a rede foi a seleção regionalizada dos participantes. Assim, foram definidas 8 regiões e cada escolheu seu representante e um suplente. O Museu da Oralidade ficou com a vaga do Sul de Minas.

Ficou registrado o desafio de fazer a comissão funcionar, o que não é tarefa fácil. O calor das discussões fez muita gente acreditar no potencial da rede. A questão é como conseguir manter a pró-atividade depois que os representantes voltarem para suas comunidades.

A avaliação final dos presentes fechou a plenária. Houve muitos agradecimentos e muitas felicitações pelo sucesso do encontro. A sensação de dever cumprido tomou conta do pessoal. A delegação segue para a Teia Nacional visivelmente mobilizada e mais madura para o debate político em torno do programa Cultura Viva. Ficou como dever de casa para todos a leitura do projeto de lei do Cultura Viva, que, se levado ao Congresso, poderá transformar o programa de governo em uma política de Estado.

Nós, da Viraminas, voltamos para casa com a sensação de que, agora, o prazo dado pela Secretaria de Estado da Cultura para encerrar o moroso processo de conveniamento (abril de 2010) será cumprido. Vários outros pontos de editais anteriores lembraram que o processo sempre foi em ritmo de tartaruga. Mesmo assim, saímos achando que "agora, vai"! Será desastroso e profundamente desanimador caso o Governo de Minas nos enrole mais uma vez.



O que é um Ponto de Cultura

January 30, 2010, by Paulo Morais - No comments yet

Seu Victor Cunha tem 82 anos. Tricordiano, músico, pesquisador e profundo conhecedor das histórias dos Três Corações, ele nos recebeu esta semana para uma conversa para o documentário-demo do projeto de registro das memórias arquitetônicas da cidade. Em meio às diversas lembranças, ele acabou descrevendo, mesmo sem saber, a importância que o Ponto de Cultura (que aguarda a lentíssima assinatura do convênio para sair do papel) representa para a comunidade.





O projeto Memórias Arquitetônicas de Três Corações foi aprovado no último edital da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O vídeo está sendo preparado para sensibilizar os empresários para reverter o ICMS que pagam para o projeto. Em breve, estará também postado neste blog.



O porque de um Museu da Oralidade

December 17, 2009, by Paulo Morais - No comments yet

Alguém já teve a sensação de que a história que a gente aprende na escola nem parece uma história propriamente dita? Não tem um enredo melodioso, não tem encantamento, tampouco uma fantasia, uma vibração. Fosse por ela, nosso mundo seria apenas o resultado de uma série de alternâncias de poder, decididas a portas fechadas em salões imperiais e gabinetes de presidentes. Do clero para a nobreza e depois para a burguesia, dos feudos para os estados nacionais, das metrópoles para as colônias e destas para o Novo Mundo, com suas guerras mundiais, frias ou não, sempre pela conquista de territórios e mercados consumidores.

Acontece que o mundo que a gente vive é construído também por uma diversidade de anônimos, pessoas comuns, que em seus cotidianos viveram e transformaram a cultura e consolidaram, aos poucos, as mudanças de comportamento, de pensamento, de ideologias. O que se fez do lado de cá das pirâmides sociais, no entanto, não entra nos chamados anais da história. O universo popular é quase que um corpo estranho aos temas dos livros didáticos.

Desde que começamos a nos embrenhar pelo universo da memória oral, nos deparamos com um outro tipo de história. Uma história diferente, que não vem expressa em cartas, atas, registros ou livros. Uma história que não se atém a descobrir quem fundou a igreja, quem escreveu a primeira carta, quem fincou a bandeira ou rezou a primeira missa. Que não quer descobrir a origem de tal lugar para distribuir títulos de pioneiros a fulano ou sicrano.

Essa outra história está nas esquinas, nos bairros, nas roças, na rua, em todo lugar. Pode não estar concretizada em relatos escritos, mas aparece na fala de um artesão, um carapina, uma dona de casa ou um puxador de folia de reis. Cada um deles carrega um conhecimento herdado geração após geração. Cada um recriou, conforme sua individualidade, a bagagem cultural que recebeu dos antepassados. Mas, mesmo assim, mantém hábitos, formas de pensar, agir e falar, que remontam a nossa ancestralidade. São testemunhos vivos de um história próxima, que explica muito do que vivenciamos hoje.

Quando investigamos essa outra história, não ficamos presos somente aos relatos das pessoas. A música de um capitão de guarda de Reinado traz na melodia, letras e instrumentos vários testemunhos de um passado transmitido pelos anseios e paixões de seus antecessores. Assim também é com a quitandeira, com seus ingredientes, temperos e receitas. O mesmo vale para o alfaiate e sua técnica minuciosa, para a benzedeira e sua medicina popular, para o carapina e seus instrumentos e conhecimentos sobre a natureza.

Engana-se quem pensa que a memória oral é apenas a história do tempo presente. Ela também nos leva a um passado de outros séculos. Com a mesma propriedade da história imortalizada nos escritos, nos faz compreender o passado para entender a contemporaneidade e vislumbrar o futuro. Ela é, no entanto, carregada de subjetividades, que, por sua vez, são um elemento a mais para a curiosidade do pesquisador e não merecem ser desprezadas.

O contato com essa forma de observar e analisar criticamente nosso presente pela busca da ancestralidade nos levou a propor o Museu da Oralidade. Uma rede social que se apropria das novas tecnologias acessíveis para pesquisar, difundir e preservar o que a tradição oral nos revela em toda sua complexidade. O museu não tem um local em si para acontecer. Está em todos aqueles lugares já citados: na rua, nas esquinas, nas roças. E qual a razão disso tudo?

Desde que o capitalismo nos levou à padronização e à massificação, sobretudo pelo advento do pensamento fordiano, a cultura entrou para o rol das atividades econômicas industrializadas. Grandes conglomerados produtores passaram a monopolizar a produção cultural em escala global. Transformaram a música, uma das nossas expressões populares mais antigas, num produto que tem dono. Assim também foi com o teatro, o cinema, a televisão. Mediatizou-se as formas de cultura e criou-se um grande sistema de distribuição vinculado ao monopólio industrial. A cultura a que temos acesso no dia-a-dia tem que passar pelo filtro destes conglomerados e é forjada em grandes centros, isolados do nosso cotidiano, que nos dizem o que pensar, como agir, o que vestir. Fez-se um novo tipo de imperialismo, desta vez não militar, mas ideológico.

É claro que esta forma de se produzir cultura, vinculada à produção em série e ao lucro, nos distancia da nossa realidade presente e nos faz enxergar o mundo pelos olhos dos outros. Nosso comportamento fica sugestionado por aquilo que querem que pensemos.

As novas tecnologias de comunicação, que tem convergido todas as formas de produção cultural numa única ferramenta chamada rede, podem - e devem - servir de contraponto a este monopólio. Na internet, ícone maior desta revolução que se propõe, o espírito colaborativista e democratizador floresce como resultado da ação dos milhares de usuários que constróem um imenso manancial de informação. Estabeleceu-se um campo fértil para projetos pessoais e coletivos, que se cruzam formando uma teia de pensamentos e interesses comuns. Permitimo-nos a consolidação de conceitos coletivos a partir do trabalho digital de cada um. Rompe-se com a lógica fordiana de produção em série para se chegar a uma forma de ação muito mais próxima do artesanal. Temos a chance de enxergar o mundo pelos nossos próprios olhos, sem intermediários, e compartilhar nossas visões com pessoas semelhantes, formando comunidades criativas e transformadoras baseadas na solidariedade e na colaboração.

Assim é que se pensa, pois, a razão de ser do Museu da Oralidade. Se a tradição oral é recriada pelas subjetividades e interpertações de cada um, por que não se apropriar das tecnologias convergentes da informação para impulsionar o conhecimento e a recriação dessas tradições? A pergunta pode até soar utópica. Mas se a tecnologia está aí para democratizar a produção cultural e ela ainda não tem dono, é hora de pensá-la em prol das utopias. Desafios existem, e sua popularização da rede talvez seja o maior deles. Porém, os desafios estão aí para serem superados.

Querem dominar a rede. O mesmo monopólio que burocratizou e criou barreiras ao estabelecimento dos produtores culturais independentes quer que as tecnologias se moldem aos modelos de negócios sob os quais se consolidaram formas elitistas e reacionárias de manutenção da ordem social e cultural. A colaboração e a solidariedade podem, neste mesmo ambiente, quebrar barreiras que tentam se impor e provocar uma revolução no nosso modo de agir, tanto culturalmente quanto economicamente e politicamente. Assim propomos conhecer o passado para entender o presente e construir o futuro. A porta está aberta, e nela pode entrar quem quiser.

Fotos Sansão Bogarim e Paulo Morais.



Conferência Estadual de Cultura em Belo Horizonte

December 15, 2009, by Paulo Morais - No comments yet



Aconteceu na última semana, em Belo Horizonte, a segunda Conferência Estadual de Cultura. Promovida pelo Governo do Estado, a iniciativa é etapa integrante da Conferência Nacional de Cultura, convocada pelo Governo Federal para acontecer em março do ano que vem. Para quem não conhece, as conferências servem para elencar uma série de demandas de artistas, produtores, agentes e gestores culturais dos municípios mineiros, com vistas a elaborar um plano de ação pela administração do Estado e enviar um documento com as propostas de Minas Gerais para ser debatida na etapa nacional de 2010. Este ano, a tônica da discussão correu ao redor do Sistema Nacional de Cultura, que o ministério pretende implantar para disciplinar a relação com municípios, estados e com a sociedade civil.

Os três dias de conferência foram bastante movimentados. De acordo com a organização, mais de 300 municípios enviaram representação a Belo Horizonte. O plenário da Assembleia Legislativa, onde aconteceram os debates, foi tomado pelos delegados municipais, que representavam tanto a sociedade civil quanto o poder público.

O Ministério da Cultura dividiu a conferência em cinco eixos de discussão. Participamos dos eixos sobre Cultura e Cidade (eixo 2) e sobre Gestão e Institucionalidade da Cultura (eixo 5). Havia ainda discussões sobre Cultura e Desenvolvimento Sustentável e Economia da Cultura. Cada grupo se reuniu na quinta-feira durante a tarde para avaliar as propostas encaminhadas pelas conferências municipais, que foram filtradas pela comissão organizadora. Esta, por sua vez, foi formada com boa representativade da sociedade civil, o que foi destacado pelos participantes como um ponto positivo.

No eixo 5, cabia aos presentes discutir a relação entre as esferas de governo municipais, estaduais e federal, além da participação da sociedade civil nos processos de gestão compartilhada. O tema dá muito pano pra manga, mas as discussões correram, dentro do possível, com uma certa dose de calmaria. Um dos temas mais polêmicos foi o pedido de maior atenção pelo governo federal aos municípios pequenos, para o apoio à construção de equipamentos culturais. Houve muito debate acerca de privilegiar cidades com menos habitantes e menor renda ou dar preferência a pólos regionais.

A questão é, realmente, passível de muita discussão. O que vale mais à pena: investir em cidades-polo que tenham condições de abarcar projetos regionais, servindo outros municípios, ou investir em comunidades distantes dos grandes centros? No embate que se seguiu, os municípios menores, que tinham maior representação na plenária, saíram ganhando.

Outro tema que rendeu bastante discussão foi o ICMS Cultural, política de repasse da arrecadação estadual para municípios que fazem programas de manutenção do patrimônio cultural. Os delegados questionaram a destinação destes recursos, que, enviados para o bolo das prefeituras, acabam servindo para outras finalidades, não relacionadas à cultura.

Muito se questionou sobre o fato de o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Arquitetônico (Iepha) não cobrar a aplicação dos recursos do ICMS em prol da preservação do acervo histórico. A mesa lembrou, entretanto, que houve recente mudança na legislação propondo, a partir de 2010, que pelo menos 50% deste recurso tenha destinação cultural. Questionou-se também se a obrigatoriedade de vinculação do dinheiro a determinado fim seria inconstitucional, pois estaria ferindo a autonomia dos municípios. A conferência não encerrou este debate, que merece mais discussões.

Um outro embate também levantou os ânimos. O Sistema Nacional de Cultura, que deve começar a funcionar nos próximos anos, irá exigir dos municípios a criação de Conselhos Municipais de Cultura. O Iepha, no entanto, já exige que os mesmos tenham Conselho Municipal de Patrimônio Cultural para pontuar no ICMS Cultural. A discussão girou em torno das cidades que não têm condições de manter dois conselhos. Até que ponto não se pode ter um conselho que discuta paralelamente os assuntos da Cultura e do Patrimônio? A Assembleia ficou dividida sobre o assunto. A tendência, entretanto, é que a existência dos dois conselhos seja realmente necessária.

No eixo 2, as discussões renderam mais polêmica. O tema central foi a interiorização da gestão da cultura no País. Muito se falou sobre a necessidade de o Ministério investir em capacitação de gestores no interior. As cidades mais afastadas das capitais tem grande dificulade em criar projetos para captação de recursos e elaborar inventários de patrimônio cultural, tanto material quanto imaterial.

Os delegados pediram também mais atenção na destinação de imóveis abandonados pela União, sobretudo os da antiga Rede Ferroviária. O problema do patrimônio ferroviário tornou-se um imenso pepino nas mãos do governo. A legislação prevê a destinação para os municípios visando o uso cultural, mas, na prática, os processos de transferência são lentos e dependem muito do Ministério Público. O governo federal carece de mais funcionários destinados à questão e, embora a legislação atribua uma série de obrigações, muito pouco tem sido feito enquanto os prédios abandonados vão desabando.

O documento final está sendo consolidado pela organização da Conferência e esperamos poder reproduzi-lo em breve neste blog.



Falem bem... e falem cada vez mais!!

December 14, 2009, by Paulo Morais - No comments yet


Luis Felipe Branquinho Vargas

Este final de semana fui à missa na igreja do bairro Nossa Senhora Aparecida. Alguém já foi à missa nesta igreja? É sensacional, parece que o mundo pára do lado de fora. Trata-se de uma igreja aconchegante e simples, onde os fiéis ficam mais próximos uns dos outros, dada sua dimensão. E, neste ambiente, o convite à estar junto de Deus vem de maneira suave, sem perceber a missa chegou ao final, com o coração e a alma em êxtase. O padre Décio reforça o convite e esta condição, pois seu jeito simples e marcante fala bem próximo aos ouvidos.

Saí de lá  pensando a igreja como um atrativo turístico. Não por sua beleza onipotente, ou pelas marcas de algum artista fabuloso que por aqui passou em momentos de busca de inspiração pelas bandas de São Thomé das Letras – até porque se ele tivesse vindo busca-la, não seria uma boa pintura, pois deveria estar murcho/vazio de inspiração. Mesmo assim a igreja chamou minha atenção. Olha que já estive em outras missas nesta mesma igreja, já havia sido cansativo, cheia demais, sem encantamento.

Mas o que será  que mudou? A pintura, as pessoas ao meu redor, a música, o padre? Não acredito que nada disso tenha interferência nesta nova percepção. Quem mudou fui eu. Mudei minha maneira de ver as coisas, estou menos crítico e mais aberto às coisas ao meu redor.... talvez tenha sido a influência das conquistas diárias, a certeza de que o caminho a ser percorrido está logo a minha frente, pode ter sido a presença de um novo membro recém nascido na família, ou mesmo alguns fatos que fizeram com que eu repensasse minha postura... o fato é que mudei.

Algumas pessoas podem dizer que “baixar a guarda” e assumir que se erra é fraqueza... “...pois que seja fraqueza, então...” e “atire a primeira pedra quem nunca errou...”. Sei que há várias pessoas de bem e de bom posicionamento sócio-econômico que assumem seus erros – o Gleyser Dentista é um deles, assumiu publicamente seu erro em defender o sr. Braz Pagani na Câmara, se redimiu, e foi elogiado pelos vereadores; outro foi o Papa, Sumo Pontífice, assumiu os erros da igreja nos tempos do holocausto, é querido por muitos fiéis.

Agora, fico me perguntando: atitudes como estas são necessárias? Atitudes como estas são válidas? Acredito que sim e mais, devemos buscar nos transformar a cada dia, enxergar novas possibilidades e formas alternativas de se fazer as coisas. Aí entra Três Corações. O que podemos fazer diferente? Quais as novas possibilidades para contribuir com seu desenvolvimento?

Vejo, por exemplo, “o futuro da nação”, nós mesmos, jovens profissionais que estão no mercado de trabalho – sejam os médicos, os políticos, os empresários, os catadores de materiais reciclados – por que há tanta resistência conosco? Será que somos tão ignorantes, tão sem experiência, tão entusiasmados que não nos cabe INTEGRAR ATIVAMENTE as tomadas de decisões? O mesmo para as mudanças na ordem da cidade, como, por exemplo, utilizar o Ginásio Pelezão para o carnaval – me lembro que quando foi para planejar o Carnaval 2009 muita gente achou um absurdo o baile de carnaval neste ginásio, conclusão: foi um sucesso, sem brigas!!

Adentrando pela área do turismo, porque não podemos pensar uma Três Corações turística? No início do ano recebemos a visita da gestora e do secretário do Circuito Turístico Vale Verde e Quedas D’Água, que engloba Lavras, Três Pontas, São Thomé das Letras, São Bento Abade entre outras. Ao entrarem na Igreja Matriz Sagrada Família pararam... e abriram a boca... “nunca vi uma igreja assim na região”, disse a gestora. Aquela fala me deixou pensativo, porque de tão acostumado em ir à missa nesta igreja, não havia reparado nos detalhes de sua arquitetura e pinturas, não tinha percebido sua beleza. Olhar com outros olhos nossa cidade, mudar a forma de ver o que a cidade tem para oferecer, perceber o que temos de bom... vale a pena? O que podemos ganhar com isso? Vamos falar bem de Três Corações. Se nós não vemos, tiremos o muro da nossa frente, vejamos com outros olhos. Nós somos capazes disso?

Luis Felipe Branquinho Vargas é turismólogo, Especialista em Administração e Organização de Eventos (SENAC-SP) e Gestão Mercadológica em Turismo e Hotelaria (USP). Diretor de Turismo em Três Corações, sócio-fundador da Viraminas Associação Cultural. Contato: luis.branquinho@viraminas.org.br.



Memórias Arquitetônicas de Três Corações

December 7, 2009, by Paulo Morais - One comment


Álvaro Jatobá

Arquitetura e história estão intimamente ligadas, sendo arquitetura o reflexo das características socioculturais de um lugar, em uma determinada época. Cidades mineiras como Ouro Preto, Tiradentes e Diamantina utilizam este aspecto histórico-arquitetônico preservado em benefício do turismo e da cultura, revertendo em renda e qualidade de vida para a própria cidade.

A arquitetura histórica em Três Corações vem sofrendo constantes perdas, retrato da desvalorização dos aspectos históricos e da supervalorização de materiais e formas contemporâneas, o que tem levado a uma descaracterização da identidade cultural da cidade.

Esta história escrita com tijolos e argamassa não está resguardada nem mesmo quando protegida por lei ou por tombamento, pois seus proprietários, na maioria das vezes, não veem com bons olhos tais iniciativas, vendo como empecilho para venda, reformas ou demolições, o que faz em muitos casos com que o imóvel perca valor.

Esta realidade é fato em Três Corações onde, em sua maioria, nem as autoridades, nem a população enxergam a importância estética, histórica ou econômica em tais edificações, o que tem levado a cidade a consumir sua arquitetura histórica presente principalmente no centro, em troca de estacionamentos ou novas edificações e tipologias de duvidoso valor.

As descaracterizações por reformas, pinturas e mais constantes, os letreiros comerciais que desrespeitam os detalhes arquitetônicos, prezando apenas por anúncios cada vez maiores e berrantes, são alguns fatores comuns de ameaça ao patrimônio. Estas atitudes geram grande poluição visual, prejudicando a ambiência urbana que poderia ser de agradável convívio se devidamente valorizada.

O abandono, a desvalorização, o desrespeito e o desconhecimento sobre o potencial da arquitetura histórica, vêm descaracterizando a identidade cultural presente nestas edificações, bem como de seu conjunto, o que representa uma perda sem retorno a um aspecto rico em cultura e história. Um reflexo deste desprezo é a escassez de espaços particulares ou públicos de comércio, serviços, cultura ou lazer que proporcionem e valorizem uma integração com a arquitetura histórica.

Outro fator que normalmente não é levado em consideração ou mencionado é que a preservação de um prédio histórico é também uma atitude ecológica, pois a construção de um prédio novo gasta muito mais recursos naturais do que a recuperação de um já existente, além da grande quantidade de entulho gerada com a sua demolição, que normalmente vai para terrenos vazios, proliferando vetores de doenças na cidade.

A substituição das casas antigas, normalmente construídas com mais preciosismo, sendo mais resistentes ao tempo quando bem conservadas, vem privilegiando as leis do comércio, dos descartáveis, dos modismos passageiros e prejudica a coesão e a consolidação cultural. O esquecimento da história de um povo gera o empobrecimento cultural, e sem cultura, a população é facilmente manipulada, pois não tem raízes, não tem base consolidada.

O Conselho de Patrimônio Histórico e Cultural de Três Corações (CONPAHC-TC) vem motivando e focando neste sentido, devido ao reconhecimento que a arquitetura histórica na cidade tem real potencial cultural e vem sendo degradada constantemente, o que determina a urgência de ações que estimulem a preservação do patrimônio histórico da cidade.

Em paralelo ao CONPAHC-TC, foi criado um grupo de estudos, aberto a participação de todos os interessados, sobre o Patrimônio Histórico e Cultural de Três Corações, que vem se reunindo uma vez por semana, aprofundando nas questões patrimoniais e auxiliando em projetos e apresentações sobre o tema.

Um imóvel protegido por lei de tombamento deveria ter seu valor comercial aumentado, pois o tombamento é o reconhecimento do seu valor histórico-cultural, trazendo com isso direitos e deveres. O tombamento não quer dizer que nada mais poderá ser feito com aquela edificação. É permitida sua venda, aluguel, reforma ou mudança de uso. Porém deverá existir um maior cuidado nestas ações, evitando assim sua descaracterização.

Não se propõe com estas ações uma estagnação nos estilos passados ou uma parada no tempo, mas sim que os materiais e estilos, contemporâneos e antigos, se fundam e se misturem, porém com as devidas prevenções estéticas, coexistindo em consonância, em harmonia entre o novo e o antigo, com equilíbrio ambiental, com sua identidade cultural viva, resultando assim a melhoria da qualidade de vida da população desta cidade.

Álvaro Jatobá é arquiteto e ambientalista, membro do Conselho de Patrimônio Histórico e Cultural de Três Corações e sócio da Viraminas Associação Cultural.



Um por todos e todos por alguns milhares

November 26, 2009, by Paulo Morais - No comments yet

Madre Tereza de Calcutá  tem uma orientação que deveria ser o condutor do modo como agimos no mundo. Ela nos diz que “o mundo só tem conserto quando você e eu formos MELHORES”. É uma máxima que nos remete ao fato de que criar um mundo melhor depende, apenas, de cada um de nós e, assim, é o resultado das nossas ações na sociedade em que vivemos.

Alguns podem dizer que falar é fácil, fazer é que são elas. Se falar é mais fácil do que fazer, então sabemos que há muitas pessoas só falando, e isso tem demais. E, quantas pessoas estão fazendo alguma coisa em Três Corações, que pode ser digno de ressaltar positivamente? Inúmeras, milhares... seja na área da saúde, na área social, na economia, na cultura, no turismo, enfim, as pessoas estão produzindo por uma cidade para se viver bem, e bem melhor do que somos hoje.


Conheço algumas iniciativas que estão se desenvolvendo apreciadas pela população. Uma delas é o projeto “Leitura no Ônibus”, do poeta Paulo de Barros (foto 2), membro da Viraminas Associação Cultural. Este projeto está em 09 ônibus da empresa Trectur, apresentado em lâminas dispostas nos bancos para que os passageiros possam aproveitar a viagem pela leitura. Estou conhecendo o projeto da prof. Vanja, “Dançando para não dançar na vida”, que oferece aulas de dança e teatro para artistas que não possuem condições de pagar pelas aulas e realiza apresentações em Três Corações e cidades da região. Aprendem, também, sobre cidadania, cultura, educação, civismo, sobre a formação para a vida. Venho conhecendo os trabalhos de artesanato com artes plásticas desenvolvidos nos Projetos Sociais, sob a coordenação da artista plástica Tchela Albuquerque (foto 1), onde, além do artesanato, são ministradas aulas de dança, pintura, artesanato, além de toda assistência pedagógica, alimentar, de saúde e cidadania... Entre outras várias que são realizadas e, ainda, não conheço, mas identifico e solicito: apareçam!!!

O que quero dizer é  que precisamos de um movimento de ação em prol do bem, do bem estar, do bem viver, do bem falar, do bem sentir, do bem pelo bem e para o bem. Precisamos divulgar as boas ações e as boas práticas que são realizadas, porque para falar o contrário não cabe mais em meio de comunicação nenhum. Imagine se pudéssemos conhecer TODAS as boas ações de nossa cidade, pelo menos, para satisfazer o ego e saber que aqui há boas iniciativas. Talvez possam vir mais parceiros, talvez as pessoas que antes não conheciam agora vão divulgar, talvez há quem se sensibilize e possa se doar ou doar algo, talvez possamos só ouvir falar bem de Três Corações.

E, para aqueles que só falam, talvez possam se unir aos fazem alguma coisa – por menor que seja, mas fazem – e sejam lembrados como parceiros e não como inibidores/coibidores. Porque, amigos, gente que puxa para trás não é gente que merece nossa atenção. Ao contrário, deve ser simplesmente evitado, desestimulado. Há quem diga que Três Corações é a cidade do já teve, há quem diga que aqui não tem futuro, que nada dura e logo já vai fechar, que tem uma cabeça de burro enterrada. Acredito que a cabeça de burro está dentro da cabeça que vê e pensa que somos inúteis, ou, pouco úteis.

Até quando vamos permitir que a falta de ação, a supremacia dos ignorantes, o conjunto dos que pensam só em si próprio, a cúpula dos que querem só levar vantagem indiquem os caminhos que devemos seguir? Até quando vamos baixar nossas cabeças para pessoas que se acham as tais e que na verdade são comuns e não passam de uns arrogantes de chapéu sem abas? Até quando Três Corações vai ser uma cidade de pobres coitados esperando que alguém que fala, faça? Até quando vamos deixar de valorizar as pessoas que estão à luta, construindo a cidade do bem, para valorizar os que simplesmente falam? Será que não somos todos responsáveis? E, sendo responsáveis, com o que vamos nos responsabilizar? Uma cidade turística é uma cidade boa para sua comunidade viver... E, o que eu quero para a minha cidade?

Luis Felipe Branquinho Vargas
Turismólogo, Especialista em Administração e Organização de Eventos (SENAC-SP) e Gestão Mercadológica em Turismo e Hotelaria (USP-SP).
Diretor de Turismo em Três Corações,
Sócio fundador da Viraminas Associação Cultural
luis.branquinho@viraminas.org.br

 Créditos das fotos: www.tchelaalbuquerque.com.br, www.viraminas.org.br



Qual é a do Google agora?

November 25, 2009, by Paulo Morais - No comments yet


Na semana passada, o Google, o gigante cool da internet, lançou na rede a primeira versão de testes de seu sistema operacional, o Chrome OS. Anunciada em julho deste ano, a iniciativa de produzir um concorrente para o Windows criou enorme expectativa na comunidade do software livre. Isso porque o Google já anunciou de cara que o programa será baseado no Linux. Muita gente dos blogs de tecnologia comemorou a novidade, profetizando que o sonho da derrubada do monopólio de Bill Gates pelo sistema livre estaria próximo de virar realidade.

A euforia com o novo sistema, no entanto, começou a ruir com o lançamento da versão alfa para os usuários. Difundido via torrent (tecnologia livre de transferência de dados), o ChromiumOS (nome da versão preliminar) começou a pipocar nos mesmos blogs e as primeiras impressões não foram lá das melhores. Quem imaginou um sistema que possa fazer frente ao Windows ficou decepcionado. E, além disso, os primeiros testes despertaram um espírito crítico em relação à postura do Google para com seus usuários.

Afinal de contas, o que é o ChromiumOS? Tomado por essa curiosidade, resolvi baixar o torrent e rodá-lo no meu computador. Quem se interessar, pode aprender como fazer neste tutorial (se não tiver alguma experiência, mesmo que pouca, com computadores, não faça isso em casa).



O sistema operacional do Google foi pensado para funcionar exclusivamente sob conexão com a Internet. Foi designado, ainda, para netbooks, os computadores pessoais ultraportáteis, com telas de 8 a 10 polegadas. O pessoal do ChromiumOS pensa neste tipo de máquina exclusivamente como um portal de entrada para a rede. Assim, quando você ligar o computador (imagem acima), ele já pede de cara seu login e sua senha de acesso aos serviços do Google (Gmail, Orkut, Agenda, Maps, Picasa, Blogger, YouTube, Docs, Reader e Grupos).



Pois bem, você entrou com sua senha? Tem então acesso a todos estes serviços automaticamente. O sistema não tem janelas, menu iniciar, ícones ou coisas que estamos acostumados em nossos tradicionais desktops. Tem apenas um navegador, que ocupa toda a tela do PC, por onde o usuário navega na rede (imagem 2). Sim, esta é a única opção a que você tem direito: navegar na internet. Tudo o que você venha a querer fazer (ler textos, ouvir música, editar vídeos, desenhar, etc), só poderá ser feito em serviços oferecidos na internet para tal fim.

Evidentemente, há uma lógica por trás disso. Ninguém vai usar um computador com tela de 9 polegadas para tarefas como editar vídeos, por exemplo. A tendência, e o Google quer reforçar isso, é de que os ultraportáteis sirvam apenas para o usuário checar compromissos, ler e-mail, marcar reuniões, trocar ideias com amigos on-line. Mas a tendência, com o Google Chrome, é que esta seja a única opção. Se você, por exemplo, estiver sem conexão com a internet, seu computador simplesmente não vai passar da tela de login. Ficar sem conexão será como ficar sem energia elétrica.

É a esta filosofia que o Google chama de navegação em nuvem. Tudo o que produzirmos não ficará armazenado em nossos computadores, mas sim numa nuvem de informações, a qual acessaremos de qualquer máquina sempre que precisarmos. E quem ganha com isso?

O Google, é claro. A empresa oferece tudo o que se pode imaginar na rede. Pelo conjunto de serviços que disponibiliza aos usuários (relembrando: Gmail, Orkut, Agenda, Maps, Picasa, Blogger, YouTube, Docs, Reader e Grupos), a gigante da rede tem arquivado em seus computadores informações sobre com quem trocamos e-mails, de quem somos amigos, quais nossas preferências, onde moramos, por onde andamos, quais ideias defendemos, por qual time torcemos, para qual partido votamos, o que gostamos de ler, ouvir, assistir. Com todas essas informações o Google comercializa publicidade direcionada (os famosos links patrocinados). Para os mais críticos, a prática nada mais é do que roubar e vender nossas almas ao sistema capitalista.

Bom, não vamos chegar a tanto. Mas é no mínimo muito bizarro pensar que uma empresa distribui um sistema que nos vincula obrigatoriamente a seus serviços e nós, voluntariamente, entregamos todos os nossos dados a ela. Por mais que o sistema será gratuito e de código aberto, o Google Chrome OS não tem nada de puritano. Imagine daqui a algumas décadas, caso a filosofia da navegação em nuvem vingue. Pense o poder de um empresa que passou quarenta, cinquenta anos catalogando tudo o que 2, 3 ou 4 bilhões de pessoas registraram da própria vida. Onde vai parar tudo isso?



Este fim de semana: Sarau Viramundo

November 11, 2009, by Paulo Morais - No comments yet




Eles querem você!

November 9, 2009, by Paulo Morais - No comments yet


 
A revista Época tem, sem dúvida, o mais bonito projeto gráfico dos semanários brasileiros de grande tiragem. Apresenta belas imagens na capa, tem uma diagramação limpa, fotos em preto e branco e infografias detalhadas com recursos 3D. Todo este apreço pela qualidade gráfica refletem, evidentemente, na credibilidade do conteúdo. O conjunto de elementos bem distribuídos nos fazem prender a atenção, incitam nossa curiosidade, nos levam a consumir prontamente aquela informação impressa nas páginas da revista. O meio é a mensagem, já disse o professor de literatura canadense Mashall McLuhan, sempre referência nos cursos de comunicação social.

É certo que este belo conceito gráfico adotado reflete no sucesso da revista no mercado - não esquecendo, claro, o poderio comercial da máquina editorial chamada Globo. Época é sustentada por um time de anunciantes de peso, que circula por toda a programação da TV, nas páginas dos jornais e nas demais revistas do grupo empresarial. É para retribuir o investimento deste conjunto de apoiadores que a revista escreve e não para informar seus leitores. A questão é simples: as verbas de publicidade representam o principal ganha-pão dos veículos de comunicação. As receitas de venda em banca ou assinatura são irrisórias.

Isso ajuda a entender o motivo de algumas condutas da revista no trato com seus leitores. Época adota uma postura de induzir o leitor no modo de pensar, agir, vestir e, principalmente, consumir. Vejamos alguns exemplos. A mensagem de um estado liberal, mínimo, tão melhor quanto menos intervir na vida dos cidadãos, foi alvo de capa da edição 539, de setembro de 2008.




Com a insinuação Perigo! Batata frita, a capa da revista resume a preocupação com a crescente regulação da vida das pessoas pelo Estado, marcada pela aprovação da Lei Seca e das restrições ao fumo. Assim, lança o próximo alvo das campanhas estatais de saúde pública: a gordura, grande vilã da obesidade. O que nos vem à cabeça é a sensação de que estamos sendo o tempo todo vigiados pelo Grande Irmão, numa releitura capitalista do enredo de 1984, de George Orwells.

Onze edições antes, no entanto, Época alardeava na capa da semana um novo tipo de comportamento, resultante da presença cada vez mais constante das tecnologias móveis em nossas vidas. A revista insinua, de cara, que celulares como o iPhone, da norte-americana Apple, vão revolucionar nosso modo de encarar o mundo. Trata-se de uma realidade. O celular já transformou o nosso dia-a-dia, é claro. A capa da edição nos convida, ainda, a entender como podemos usufruir melhor dessas novidades a partir de novos produtos disponíveis no mercado.



Vamos, agora, a este ano. Na edição 595, a garota da capa foi o livro eletrônico Kindle, novidade da gigante livraria eletrônica norte-americana Amazon. Com a insinuação O último livro que você vai comprar e o escritor Paulo Coelho como coadjuvante, Época nos convida a pensar sobre o fim da era dos livros de papel. A revista revela outra questão surgida a partir do avanço das tecnologias: como o mercado editorial vai se sustentar?



Não ainda satisfeita em induzir formas de comportamento guela abaixo do leitor, Época soltou, em suas duas últimas capas, outros exemplos claros de como ela trata seu público. As insinuações Seu próximo carro será elétrico e A aposentadoria dos seus sonhos não deixam dúvidas de que a revista está propondo formas de encarar a realidade.



Posto isso, voltemos ao caso das três primeiras capas citadas. Quando o governo quer intervir na vida das pessoas em prol do interesse público (limitando o consumo de cigarros, gordura ou álcool), o tema merece discussão. Por outro lado, quando há negócios envolvidos no meio, caso das tecnologias digitais, a estatégia é outra. Neste caso, o leitor é induzido a crer piamente em soluções tecnológicas revolucionárias que transformarão a sua vida para melhor. O que não é discutido, no caso, é a quem estas novidades estão servindo.

Quando exalta o Kindle e o iPhone, Época não está apenas enaltecendo grandes novidades eletrônicas. Pelo contrário, ela está reduzindo tais novidades a modelos de negócios que tenham viabilidade para as grandes corporações de comunicação. Os dois aparelhos têm modelos fechados de transferência de conteúdo. Os donos de celular da Apple e do livro eletrônico da Amazon só podem comprar informação das lojas da Apple e da Amazon, respectivamente.

Este modelo de negócios, que condiciona o uso de um aparelho a uma loja eletrônica própria do fabricante, é o contra-ataque da indústria cultural ao avanço das tecnologias de compartilhamento de conteúdo. O grande objetivo destas novidades não é ampliar ou melhorar o nível de informação que o leitor recebe. É, sim, restringir o uso das tecnologias a servidores de conteúdo macomunados com o império da indústria cultural. Só assim a indústria cinematográfica de Hollywood ou a grandes editoras terão alguma chance de atrasar a revolução que detonou o monópolio da indústria fonográfica e vem derrubando, pelo bem dos artistas e do público, o império das gravadoras.

Época levanta a bandeira de não aceitar intervenções na vida das pessoas. Mas tenta intervir, com as armas que tem. Eis a lógica da mídia-mercado.

Em tempo: reparem nas semelhanças entre as capas de Época citadas e das revistas  Time e Newsweek (abaixo). E, para terminar, imagem do jornal O Globo em sua versão Kindle, noticiada em Época. Ao lado, foto impressa no jornal norte-americano New York Times sobre sua versão Kindle. Alguma semelhança?







Imagem daqui.



O GANHA-GANHA no Turismo

November 9, 2009, by Paulo Morais - No comments yet


Vai ver que muita gente não percebeu, ainda, que com o desenvolvimento da atividade turística em Três Corações vários segmentos do comércio e da comunidade tricordiana como um todo podem se beneficiar, ou seja, ganhar dinheiro, prosperar.

Se esta atividade for planejada em conjunto com os parceiros que atuam diretamente na prestação de serviços aos visitantes, podemos iniciar um trabalho que não pesa para ninguém e do qual todos podem ganhar. Este é o início do conceito de desenvolvimento sustentável, utilizando-se metodologia participativa. É pensar que as decisões ligadas aos meios de hospedagem, por exemplo, serão tomadas em conjunto, com os representantes deste segmento e da prefeitura e dos meios de alimentação... e dos demais interessados. Será que podemos contribuir com idéias e experiências adquiridas em viagens de turismo e na própria vida profissional? Já vi exemplos onde este tipo de iniciativa dá certo... é o caso da atuação do SENAC no município de Brumadinho-MG.

E, esta forma de atuação é de suma importância, pois a atividade turística é, também, uma atividade econômica, os envolvidos podem ganhar ou perder dinheiro com ela. E, quem tem o papel originário de ganhar dinheiro, obtendo lucros? Pelo que sei é o poder privado. É neste sentido que se fundamenta, então, envolver as empresas ligadas ao turismo em todos os processos de tomada de decisão.

Se pararmos para refletir um pouco, podemos identificar claramente que meios de hospedagem, de alimentação, agências de viagens, museus, empresas de transporte (inclusive os táxis e vans) estão ligadas diretamente à atividade turística e dela se beneficiam. E, se formos aprofundar esta análise perceberemos que supermercados, farmácias, lojas em geral também podem ser beneficiadas, afinal de contas quem já viajou e nunca precisou destes produtos?

Promovendo o turismo e fazendo com que as empresas ganhem dinheiro, concorremos para o sucesso desta atividade em Três Corações. E, além deste retorno há outros benefícios: mais geração de empregos – mais camareiras, mais garçons, mais gerentes, mais atendentes – novos postos de trabalho – num museu que se abra, num novo restaurante, numa nova empresa de lazer – mais respeito pela cidade – seus jardins, orelhões, praças, pessoas – mais amor à terra dos três corações, mais consciência e educação das pessoas que aqui habitam e, conseqüentemente, das que aqui visitarem.

Já  pensou quando nossa cidade estiver recebendo 10 turistas por dia? Fazendo as contas: supondo que estes turistas utilizem o hotel, o restaurante e o táxi, cada um vai gastar R$60 no hotel, R$20 no restaurante, R$10 no táxi... deixariam R$900 na cidade. E se viessem mais pessoas por dia, por exemplo, 100 turistas? Seriam R$9.000!! E nem vou falar da vinda de 1000 turistas, ficando mais de um dia e consumindo outros produtos e serviços... É sonhar demais?

Luis Felipe Branquinho Vargas
Turismólogo, Especialista em Administração e Organização de Eventos (SENAC-SP) e Gestão Mercadológica em Turismo e Hotelaria (USP-SP). Diretor de Turismo em Três Corações, sócio fundador da Viraminas Associação Cultural.
luis.branquinho@viraminas.org.br
Imagem daqui.



Djalma Assis de Oliveira, o seu Nego, Carmo do Cajuru (MG)

November 3, 2009, by Paulo Morais - No comments yet



Nesta última sexta-feira, nos encontramos com Djalma Assis de Oliveira, mais conhecido como seu Nego. Nascido na zona rural de Carmo do Cajuru, cidade onde ainda reside, ele fabrica nos fundos de casa as caixas que ecoam o som da Folia de Reis e do Reinado na região. Com 77 anos, o artesão conta, com simplicidade típica do mineiro do interior, que aprendeu o ofício ainda criança.

- Aprendi sozinho, com ninguém, comigo mesmo.



Nego lembra que, quando criança, havia na roça onde morava um senhor conhecido por João Quintero, um capitão de guarda de Reinado. Naquela época, o toque do instrumento atiçou a curiosidade de Seu Nego. O problema é que as crianças não podiam bater as caixas.

- Menino não pode por a mão na caixa porque a caixa é benta, dizia seu Quintero.

Seu Nego, então, resolveu que iria começar a fabricar sua própria caixa. Começou com a madeira do Pequi, abundante na época. A primeira levou três meses para ficar pronta. Ele demorou porque, sem prática alguma, quebrava as madeiras sempre que começava a moldar os arcos. O processo era diferente naquele tempo. O artesão vazava uma tora maciça e formava uma caixa com uma única peça. Forrava as aberturas com couro de boi que ganhava de amigos. Atualmente, o modo de fazer se alterou.

- A madeira de pequi acabou, e agora eles não deixam mais fazer com ela.



Na oficina que mantém em casa, seu Nego agora usa ripas de madeira de pinho. Fixa os pedaços com cola de serragem e mantém ao sol por alguns dias, presos a uma armação de ferro. Ele, então, corta duas tiras grandes de madeira óleo vermelho e vai envergando até formar o contorno da caixa, parte que ele considera a mais difícil.

- Eu já tentei ensinar dezesseis pessoas a fazer a caixa. Só duas mulheres que conseguiram fazer.

Os arcos ficam amarrados à caixa durante um dia, para tomar forma. Nesse tempo, o artesão deixa o couro de boi, que compra de fazendeiros da cidade, de molho na água, para ficar mais maleável. No dia seguinte, ele retira temporariamente o arco, que estava se moldando à caixa, para colocar o couro. O acabamento é feito com o cipó murundu e tinta azul.

- O que faz a toada boa é a caixa bem feita e couro de gado novo. Couro de gado holandês nem precisa pôr!

As caixas de Seu Nego são muito conhecidas na região. Ele vende para cidades vizinhas, como São Sebastião do Oeste, Bom Despacho e São Gonçalo do Pará. Boa parte das caixas do Reinado divinopolitano são produzidas por ele. Há também compradores de outros estados, como São Paulo. Sem perder a modéstia, seu Nego lembra que chegou até a exportar algumas para a França.

As caixas produzidas por Seu Nego tem sempre as cores azul e branco (típicas do Reinado) e são entalhadas com uma pequena cruz na lateral. Elas custam em média R$ 130.

- No começo o pessoal falava que eu 'tava mexendo com 'imbondo'. Hoje, quando eles veem o tanto que eu 'tô trabalhando, o povo fala que se soubesse que ia dar dinheiro, aprendia também.




Entre dois mundos

October 28, 2009, by Paulo Morais - No comments yet

Danielle Terra


Vivemos em uma sociedade onde o homem começou a olhar para o belo enxergando o feio. O que é belo se transformou em estranho e assim passou a não se identificar mais com seu habitat natural: a natureza, propriamente dita!

Várias vezes presenciei pessoas indo a um ambiente natural, como uma cachoeira linda, no meio do mato, cheio de pássaros, insetos vistosos, peixes, árvores, flores, ar puro e tudo de mais maravilhoso que compõe esse ambiente. O individuo é morador de uma grande cidade (que nem precisa ser tão grande), chega a tal lugar e estranha tudo! Não sabe andar no mato, se coça todo, grita ao ver um grilo pulando, entra na água e volta correndo para a margem gritando: "Tem um monte de peixinhos assassinos querendo comer meu pé!" O máximo que o agrada é um passarinho bonitinho ou uma bela orquídea que imediatamente e brutalmente a captura para levar para casa.

Esse é o perfil do cidadão cujo habitat natural é uma floresta de cimento e shopping centers. Um mundo criado pelos homens, que se esqueceram de que a matéria prima que os mantém em seu ambiente escolhido vem da natureza, seu ambiente original.

O oposto deste é o grande pequeno homem, que vive em sua cidadezinha do interior. Vive de sua hortinha no quintal de casa, cria suas galinhas, cura as desventuras do corpo e da alma com as ervas do fundo da horta. Se está calor, dá um “tibum” no rio no fundo de seu quintal. Esse pequeno grande homem, em um dia qualquer, vai a São Paulo para uma dessas casualidades da vida. Vai, por exemplo, visitar uma tia que há anos atrás foi trabalhar na metrópole para melhorar de vida. O pequeno grande homem, se vendo na grande cidade, sente-se apenas um pequeno homem, diante de um lugar estranho, que se opõe a sua vida natural. E quando vai a um shopping center, onde ou se vende a matéria (comprando, roupas, tênis, entre outras mundanidades), ou sofre de banzo, fica se sentindo completamente perdido e estranho dentro da floresta de cimento. E percebe que está em outro mundo... Perceberam, leitores distraídos?  Em outro mundo!

A historinha do Zé da cidade grande e do Zé do interior nos leva à importância da conservação da natureza para a sobrevivência humana. Há três princípios básicos para isso: percepção, sensibilização e conscientização ambiental. Não há modelo de conservação sem a identidade pessoal com o meio que o individuo vive. Essa identidade está vinculada ao (re) conhecimento de seu ambiente e de suas origens. Mesmo que o individuo nasça, cresça e permaneça em uma cidade grande, sem contato algum com a natureza, ele irá se sensibilizar ao perceber e entender que o leite vem da vaca (e está no pasto do seu Zé da roça), ou a cenoura vem da terra e sua base vital todinha depende da boa qualidade do meio de vida natural. Ele vai entender que, mesmo estando fora, está dentro disso tudo. E passa a valorizar não só através de um ideal utópico, mas com atos práticos, no dia-a-dia.

Temos o vicio de cuidar só do que valorizamos. E só valorizamos o que identificamos. Esse é o modelo da Identidade Ambiental: Identificar, (re) conhecer, valorizar, amar, cuidar. Para adquirir essa identidade, é necessário se sentir parte de seu meio.

É natural a falta da identificação quando crianças acreditam que o leite vem da caixinha, as frutas vêm do supermercado, a carne do freezer e o refrigerante já existe em alguma fonte! Não se identificam com a natureza, que é a base fundamental para toda nossa existência. Lembrando que a natureza não permanece apenas na Terra. Onde as discussões ambientais ficam apenas voltadas para nosso planeta. Diga-se de passagem, “mera pretensão humana”. A natureza está comportada em todo o universo onde o tempo todo nos doa sua energia vital, natural e boa.

Diante da falta de identidade do Homem com a Natureza, surgem as perguntas: O que há entre a Natureza e o Homem?  Em que momento foi perdida esta conexão? É como se não fizesse mais parte de seu habitat natural. O homem se tornou intruso em sua própria casa: a Natureza!        

Assim caro leitor distraído, deixo-o e despeço-me. Caminhando entre a humanidade concebida sem pecado! 

Danielle Terra é gestora ambiental e sócia da Viraminas Associação Cultural.
Imagem daqui.



CONSUMIR - ou SUMIR - em Três Corações

October 26, 2009, by Paulo Morais - No comments yet



Falando sobre Turismo em Três Corações, acabo percebendo a relação entre a oferta e algumas pessoas que consomem produtos e serviços na cidade. Freqüentam a Pizzaria La Piu Bella, alguns vão à Pizzaria Makarena, e tem os que vão ao Xico e Xica Restaurante... de uma maneira ou de outra sempre há pessoas nos restaurantes, nos bares, nos bailes e festas da cidade. Daí me pergunto: Três Corações não tem o que oferecer? Alguns mais exigentes diriam que “tem, mas não tem tanta opção diferenciada, é sempre pizza e churrasco, massa e batata frita...”

Talvez quisessem encontrar algo diferenciado, alternativo e por isso procuram outras cidades da região: para variar os sabores. Já ouvi dizer que “os bares e restaurantes daqui poderiam ser mais sofisticados, ou ter um ambiente diferente; parece que todos os lugares são semelhantes...” Pode ser que mesa quadrada e cadeira de madeira está um tanto ultrapassado, quem sabe? Muita reclamação ou simples indicativo de que algo precisa ser repensado, adequado a uma clientela que está ávida por um serviço que atenda suas necessidades e expectativas? Sábado, mesmo, foi aniversário do Grupo Trem Mineiro – Chico Poeta, Xandinho, DJ e companhia – na Pizzaria Dom Giovani, 4 anos de um pessoal que toca samba e pagode de primeira. Muito pouca gente estava lá... e me pergunto: por quê?

As pessoas não gostam de samba, ou não sabiam que haveria esta atração? Sinceramente, não consigo entender o que acontece, talvez seja um pouco de cada, as pessoas não gostam de samba e os que gostam não ficaram sabendo. De novo volto para a oferta e a demanda: o que se tem para oferecer e quem irá consumir. Esses dias deparei com mais uma lanchonete especializada em empada... ora bolas, se em Três Corações já há uma lanchonete especializada em empada, porque não abriram uma de esfirra? Ou de coxinha? Se formos verificar o que a cidade tem para oferecer na área de alimentação, trinta são os restaurantes... e quantas são as lanchonetes, os bares e os botecos? Há a oferta com sua demanda específica e fiel. Mas já está bom, ou pode-se fazer algo mais... (?)

Sabe, o algo mais pode ser o diferencial num prato servido ou numa bebida, pode ser o atendimento que encanta e faz sentir bem, como pode ser uma atração, como uma banda, uma dupla, um solo. Acredito que o importante é procurar sempre o melhor. E, talvez, o melhor não esteja do lado de lá, mas bem aqui em Três Corações. Talvez, possamos criar uma corrente para indicar o que queremos e fazer com que nossa cidade possa se voltar para os interesses dos nossos consumidores.

Nada, nada, já podemos pensar nos empregos que serão criados, nos novos postos de trabalhos, na diversidade de produtos e serviços, na valorização de nossa cidade, do amor à terra... Assim, começamos a criar uma cidade turística, pois se há pessoas da própria cidade consumindo produtos e serviços locais, já falamos em Turismo voltado para a comunidade local, e, a partir disso, pessoas de outras cidades podem se deslocar para consumir nossos produtos e serviços; daí, vira Turismo como conhecemos. Já pensou: turismo em Três Corações? Será que sou só eu?

Luis Felipe Branquinho Vargas
Turismólogo, Diretor de Turismo em Três Corações,
membro da Viraminas Associação Cultural
luis.branquinho@viraminas.org.br
Foto: Câmara Municipal de Três Corações



Seminário discute cultura afro-brasileira em Três Corações

October 6, 2009, by Paulo Morais - One comment

Por Danielle Terra

Nos dias 26 e 27 de setembro aconteceu na Comunidade do Taquaral, em Três Corações, um evento de exaltação da cultura Afro-Brasileira, o 1° Seminário de Formação do Grupo Tricordiano Cultural Negro Nagô.

O evento permitiu ao público conhecer de perto algumas manifestações da Cultura Afro-Brasileira, desvendando e valorizando a história e a importância da influência do povo negro em nosso país e, claro, de nossa cidade.

Durante o Seminário, a historiadora Márcia Lemos Fonseca Barbosa contou de forma muito interessante a historia das comunidades Taquaral e Cota, que segundo ela, foi palco de uma parte da história do negro em Três Corações: “O negro sempre foi e é uma figura presente em nossa vida. O negro tem que saber seu valor e aprender a falar 'não'. Ele veio para o Brasil e aqui foi acostumado a dizer apenas 'sim, senhor'. Na África, tinha uma vida de liberdade e soberania. A escravidão foi ontem e ainda está muito encostada em nós. Talvez por isso ainda exista a submissão do negro pelos brancos. Todos nós, não importa se brancos, pretos ou amarelos, nascemos para sermos amados, e não usados.” Márcia também lembrou de negros ímpares que marcaram sua infância, seja porque ela os conheceu pessoalmente, nas comunidades, ou porque soube de histórias contadas pelos mais antigos: “Minha família é totalmente voltada e envolvida com a história do negro. Em casa tínhamos os camaradas que eram considerados e respeitados como se fossem da família. Alguns cheguei a conviver quando criança, outros sei de ouvir causos. Posso citar alguns como Seu Feliciano, que chegou aos 115 anos, inclusive foi alforriado pelo meu avô, Seu Oracinho, da Fazenda do Lobo, Seu Balbino, camarada da Fazenda da Cota, Madrinha Xanda que foi beneficiada pela Lei do Ventre Livre, entre outras figuras graciosas que passaram por aqui deixando sabedoria para todos nós. Porque o negro é sábio, inteligente. O negro é que nos ensinou grande parte do que sabemos hoje.”

Outras duas presenças que cativaram a todos os presentes foram os professores Mohamed, natural da Guiné Bissau, e Antônio, natural da Somália. Eles falaram da origem do negro e sobre a vinda deles para o Brasil. Mohamed hoje é professor de língua estrangeira em Belo Horizonte. Veio para o Brasil em 2004, fugindo de uma guerra civil. Mohamed figura de imenso carisma, falou de sua trajetória e da importância dos negros se valorizarem. “O negro precisa ter orgulho de sua cultura e origem. Precisa ter orgulho de ser negro. Quando um negro diz que é 'moreninho' está insultando a si próprio por não estar se valorizando. Muitas vezes o preconceito está no próprio negro. Enquanto o negro não se reconhecer como negro, o preconceito permanecerá. Precisamos nos valorizar e acreditar na força que temos.”

O evento também contou com a presença de José Augusto e da professora Sandra, que falaram da cultura e religiosidade do negro no Brasil. Se apresentou também o Professor Cosme, coordenador de Cultura Negra da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Secretaria Estadual de Combate ao Racismo de Belo Horizonte. Falou sobre a Abolição e suas conseqüências (social, econômica e política) no Brasil. O evento foi encerrado com a Missa dos Negros, celebrada pelo Padre Belmiro.

O Grupo Tricordiano Cultura Negro Nagô ainda é bastante jovem, mas já vem mobilizando eventos em comunidades e escolas. O grupo coordenado por Maria Terezinha de Jesus Marcelino se reuniu a primeira vez na Casa de Cultura em Abril de 2008. A partir daí, começou o trabalho de divulgar a cultura afro. “O grupo agora está em processo de formação, queremos fazer dele uma ONG para facilitar nosso trabalho, para podermos inscrever projetos em editais. Queremos difundir nosso trabalho mostrando a beleza e o valor de nossa cultura”, comentou Terezinha.

Dirceu Alves Filho é também integrante do Grupo Negro Nagô e conta porque o grupo recebeu este nome: “Os Nagôs são uma etnia de grande importância na história dos negros da África”. Nos dizeres de Edison Carneiro, no clássico 'Candomblés da Bahia': "Os nagôs logo se constituíram numa espécie de elite e não encontraram dificuldade de impor à massa escrava a sua religião. Quanto aos negros muçulmanos (malês), uma minoria entre as minorias, que poderiam ser êmulos (rivais) dos nagôs, pelo seu sectarismo, afastavam não só os escravos como toda a sociedade branca".

Informações sobre o Grupo Tricordiano Negro Nagô: 8813-4077, 8404-0117 ou 9976-3071.



Divinópolis: Seminário discute patrimônio imaterial

October 1, 2009, by Paulo Morais - No comments yet

Estivemos mais uma vez em Divinópolis na última semana, desta feita para participar do Seminário Regional de Patrimônio Imaterial, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). Estavam ali reunidos secretários de cultura e servidores de cidades da região, além de pesquisadores, professores e curiosos em geral, para entender um pouco mais sobre a dimensão intangível do patrimônio cultural, tão aclamada pelas políticas públicas nos últimos anos.

Só o fato de estar se preocupando com o patrimônio imaterial, a ponto de realizar um encontro específico para o tema, já mostra o quanto a secretaria de cultura está antenada com o que vem acontecendo. O patrimônio histórico não se resume apenas a igrejas e casarões antigos. Também está expresso nas festas populares, nos costumes tradicionais, na memória oral, nos saberes e fazeres da gente. Existem diversas recomendações, tanto no plano internacional, quanto nas instâncias nacionais e estaduais, para que as comunidades reconheçam a importância do patrimônio imaterial. No entanto, esta visão ainda é recente, e boa parte dos municípios não têm legislação de proteção específica, resumindo-se apenas nos tombamentos de obras e monumentos.

É importante começar a virar esse jogo. Quando uma comunidade registra um bem como patrimônio imaterial, não está apenas entregando um título a um grupo de pessoas. Está se compromentendo a formatar um plano de salvaguarda, em que determina um conjunto de ações para garantir as condições sociais, ambientais, econômicas, materiais e até políticas para que aquela manifestação perdure e não caia no esquecimento. O Queijo do Serro é um exemplo de patrimônio imaterial brasileiro, o único de Minas com tal qualificação. A partir do registro, a comunidade local vem se organizando e preparando diversas atividades, inclusive com a implantação de um Museu do Queijo na cidade.




O seminário começou com a fala da professora Batistina Corgozinho, da Uemg, sobre a tradicional Festa de Santa Cruz nas comunidades rurais da cidade. O relato tratou de enaltecer a espontaneidade da festa, que acontece todos os anos sem a necessidade de espetacularizações ou de apoio do poder público. A arte dos enfeites da festa foram expostos: um trabalho minucioso em papéis coloridos, que adornam as estradas da comunidade onde as festividades acontecem.

O professor Guilherme Leonel relatou a pesquisa que vem desenvolvendo em torno da proibição das festividades do Reinado pela Igreja Católica. O Reinado é uma das mais tradicionais manifestações da cidade e, durante anos, resistiu ao autoritarismo dos padres e bispos. Vários documentos foram mostrados, entre cartas e jornais das décadas de 1920 a 1970. Apesar dos vários pedidos eclesiásticos, houve casos em delegados da cidade não proibiram as festividades em espaços públicos, visto que a proibição não estava descrita em nenhuma lei. Hoje, o Reinado é reconhecido pela Igreja, e todos os anos é celebrada pelo Frei Leonardo a missa conga na Igreja do Santuário, no centro da cidade.

Em seguida, a historiadora Vanessa Gonçalves apresentou uma fala mais didática sobre o patrimônio imaterial. Esclareceu conceitos, falou de legislações pertinentes ao tema e introduziu um exemplo de plano de salvaguarda a partir de técnicas tradicionais de bordado. Foi uma bela aula de como iniciar um processo de registro de patrimônio intangível.

Entramos, depois, na odisséia de Luminárias. Contamos como foi o trabalho de publicação de um livro de memória oral na cidade, o qual vocês podem baixar em PDF clicando na capa ao lado. O trabalho na cidade sul-mineira deu origem à Viraminas e ao movimento que vem conscientizando as comunidades sobre a importância da cultura como fator de desenvolvimento.

Por fim, à tarde, as falas Evelyn Miniconi e Vânia Sufia Madureira, do Iepha, esclareceram as novas determinações do Iepha sobre o ICMS Cultural. Trata-se de uma política de repasse de arrecadação do Governo de Minas para as prefeituras, com base em inventários enviados anualmente pelos municípios ao Instituto. Os analistas avaliam as políticas municipais a partir de critérios pré-estabelecidos e determinam uma pontuação anual, que se converte em recursos destinados à manutenção do patrimônio destas cidades.

A partir deste ano, o patrimônio imaterial ganhou mais destaque nas avaliações do Iepha. Vânia relatou preocupação com as constantes mudanças nos gestores de patrimônio cultural dos municípios, que acontecem a cada eleição. A cada novo prefeito que assume, outros servidores assumem a gestão cultural, sendo muitas vezes despreparados para tal atuação. Raramente, as cidades têm gestores concursados. Como os inventários anuais são um processo contínuo de reconhecimento e valorização dos patrimônios, estas mudanças interrompem evoluções e o resultado são perdas significativas tanto na pontuação quanto nas políticas públicas das cidades.

É comum que empresas de consultoria facilitem esses processos de inventário para prefeituras. Criou-se um enorme mercado do ICMS Cultural no interior. Isso gerou um fator positivo, na medida em que os consultores colaboraram para disseminar as metodologias. Por outro lado, dificultam o enraizamento dos processos nas comunidades, uma vez que os consultores passam pelas cidades mas não estabelecem vínculos mais profundos com a discussão das políticas públicas.

Diante disso, o Iepha vem tomando medidas para incentivar os municípios a terem atividades constantes no que diz respeito à cultura e à memória. Uma avaliação mais criteriosa da atividade dos Conselhos de Patrimônio Histórico e a pontuação para a participação nas Jornadas Mineiras do Patrimônio Cultural, que acontecerão anualmente nos meses de setembro, são algumas novidades que devem incentivar as prefeituras a trabalharem para além da simples publicação de inventários.

A gente precisa reconhecer que as medidas são interessantes. Por vezes, em atividades da ONG, acompanhamos os consultores na elaboração de inventários. Os trabalhos são bem feitos, mas são encarados pelas prefeituras apenas como um processo burocrático visando aumentar a arrecadação. Nem sempre o inventário resulta na discussão e implantação de políticas públicas inovadoras e eficazes na proteção e promoção do patrimônio cultural. Os conselhos de patrimônio histórico são, em muitos casos, apenas carimbadores das vontades dos secretários de cultura, e não se consolidam como espaços de discussão e aprimoramento das atividades voltadas ao patrimônio, o que, convenhamos, é uma pena.



Começou hoje a Leitura no Ônibus

September 21, 2009, by Paulo Morais - No comments yet






Domingo e segunda foram dois dias de muita ralação para o pessoal da Viraminas. Conforme já tínhamos postado aqui na semana passada, o lançamento do projeto Leitura no Ônibus estava agendado para hoje. E deu tudo certo. O primeiro trabalho aconteceu ontem, na garagem da Trectur. O pessoal começou a chegar pouco antes das 22h e esticou o domingão até quase 2h da manhã de segunda. Doze pessoas compareceram para ajudar a fixar as lâminas nas cadeiras dos coletivos. O trabalho em equipe foi rápido e eficiente: enquanto uns cortavam as fitas, outros separavam as lâminas, amarravam, cortavam as pontas e queimavam as cordinhas. E, para animar, as piadinhas do Ronildo, como sempre.

Como erramos nos cálculos, sobraram quatro lâminas por linha. Resolvemos então estender o projeto para nove rotas de ônibus. Acabou saindo melhor que a encomenda. Os textos que sobraram vão ficar para ser repostos, em caso de perda de algum que foi colocado.




Na segunda-feira, a manhã ficou para apresentação do projeto. A Rádio Tropical nos recebeu primeiro para contar sobre o Leitura no Ônibus. A entrevista durou cerca de 20 minutos e o Paulo de Barros reforçou o pedido para que a comunidade ajude a preservar as lâminas. Depois foi a vez da TV Alterosa. Como sempre muito rápidos, o pessoal da televisão gravou na Casa da Cultura e, em seguida, nos acompanhou ao ponto para pegarmos carona com um das linhas beneficiadas pelo projeto.

A entrada da equipe de reportagem chamou muito a atenção dos passageiros, como é de praxe quando a tevê aparece em algum lugar. Eles conversaram com algumas pessoas. A matéria deve ser veiculada na edição regional do Jornal da Alterosa desta terça-feira, às 11h55. Quando estiver na internet, postamos aqui.



Park Rock Festival movimentou o fim de semana em Três Corações

September 21, 2009, by Paulo Morais - No comments yet

Neste último fim de semana aconteceu no Parque Dondinho uma novidade que agradou a todos que compareceram. Foi o Park Rock Festival, que reuniu oito bandas de rock da região, entre novatos e veteranos, em dois dias de programação. O público não foi grandes coisas. O comentário era de que a fama de lugar violento do Parque Municipal afastou o pessoal. Digamos a verdade: pior para quem não foi. A prefeitura, que organizou o evento, garantiu segurança e organização para as bandas e o público. O palco grande diante do gramado deixou o lugar com um verdadeiro espírito de festival de rock. A partir de agora podemos falar que a fama de puxa-faca do Vilelão está para acabar.

Pena não ter fotos para estampar aqui no blog. Se algum dos leitores quiser mandar, será de muito bom grado, a gente publica aqui. O evento começou cedo, nos dois dias. Cheguei por volta das 22h nos dois dias e perdi as primeiras bandas - Vantherléios e Magos de Minas. São as únicas que conhecia, talvez por isso as que mais gostaria de ver. Acontece que tem um bairro residencial ao redor e isso deve ter preocupado a organização, que tratou de adiantar o horário.

Sobre as bandas: a que mais se destacou, para mim, foi a Fábrica de Boatos. Embora o vocalista não me engane com aquela garrafa de uísque preenchida de guaraná, a banda levantou a turma no segundo show do sabadão. Tocaram várias músicas próprias e apenas um cover, uma atitude da qual eu gostei. Eu, pelo menos, quando vou a um festival de rock, prefiro conhecer as bandas de verdade, saber qual som elas produzem, entender o trabalho autoral que desenvolvem. O Fábrica de Boatos tem um som agitado, mas com melodia e letras bacanas. Citam Nelson Rodrigues no refrão que diz "Ela é bonitinha, mas ordinária/Juras de amor pra sua conta bancária". O CD está à venda na livraria Obra-Prima. Uma de suas composições, Nanda, está tocando na rádio Tropical, segundo o vocalista, "sem jabá". É a mais comportada das que tocaram no Festival. Eis o clipe:


Outra banda que gostei mais foi a Anexos, que não conhecia. Tocaram um reggae animado na sexta-feira. Houve ainda duas bandas mais jovens, que ainda tem muito chão pela frente e ainda estão na fase emo-malhação. Tiveram uma boa oportunidade de se apresentar e até tinham público específico para isso no local. Clockwork foi um cover do Oasis que fechou a noite de sexta-feira. Sinceramente, não mexeu comigo. Tocam bem, é verdade. Mas essa coisa de cover me desanima. Acho mais interessante mostrar a própria personalidade do que viver do sucesso dos outros. Enfim, é uma opção comercialmente viável da banda. Tem um nome em inglês, cantam em inglês, se vestem como os ingleses e o vocalista é o próprio Gallagher.

A noite de sábado também foi fechada com um cover, desta vez a banda Ummagumma, de Três Pontas, que interpreta os sucessos do Pink Floyd. O show é uma superprodução. Mas, como já disse antes o que penso sobre cover, fica por isso mesmo.

Só deixo uma pergunta no ar. Se estamos querendo fazer um rock regional, com cara de Brasil, ou de Minas Gerais, porque tanta coisa em inglês? O nome do festival é em inglês, metade das bandas tem nomes em inglês, todas tocam música em inglês. O rock mineiro luta por alguma causa? Propõe alguma coisa diferente, ou quer ser apenas uma repetição do que os outros já fizeram? Ele tem alguma coisa pra dizer? Para as bandas novas que se apresentaram neste festival, que fique o recado. Desenvolvam um trabalho autoral, com uma cara própria e personalidade. Sigam o exemplo da Fábrica de Boatos e dos Magos de Minas: criem e sejam artistas de verdade, e não apenas máquinas de xerox.



Viraminas torna-se referência em Três Corações e quer parceria com empresários

September 16, 2009, by Paulo Morais - No comments yet

A Viraminas Associação Cultural definiu nesta última segunda-feira, em visita à Superintendência de Interiorização da Cultura, do Governo de Minas, a adesão à Rede de Articuladores de Cultura de Minas Gerais. A rede é uma iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) e tem por objetivo fortalecer o diálogo entre a administração estadual e os agentes culturais do interior do estado. Com a entrada da Viraminas para a rede, Três Corações passa a receber as notícias sobre eventos, seminários e encontros pela associação, que fica encarregada de articular a participação dos agentes do município.

Na reunião com as representantes da SEC Marizinha Nogueira e Enimar Lodi, os gestores culturais Paulo Morais e Andressa Gonçalves mostraram o histórico da entidade e as conquistas do setor cultural no município garantidas a partir da atuação da associação. O projeto Viva Cultura, Vira TC, que, em setembro do ano passado, reuniu os candidatos a prefeito de Três Corações para apresentar propostas do setor cultural, foi um dos destaques. A consequente criação da Secretaria de Cultura, que até então era vinculada à pasta da Educação, é considerada uma vitória parcial dos agentes culturais. A criação de um espaço cultural multiuso no galpão abandonado da antiga Rede Ferroviária Federal é outra demanda que está em negociação com a Prefeitura.

Após a reunião, a Viraminas já começa a se articular para iniciar um extenso projeto de capacitação dos agentes culturais do município, visando ampliar ainda mais as conquistas e mobilizar a comunidade em prol da cultura. A entidade criou o Movimento Cultura - Faça (P)arte, com o qual pretende realizar um ciclo de palestras e debates sobre gestão cultural. Palestrantes renomados de outros municípios participarão, assim como agentes culturais da região Sul de Minas serão convidados a compartilhar suas experiências. Dentre os temas, questões atuais relativos ao universo da produção cultural estarão em destaque, como Economia da Cultura, Diversidade Cultural, Leis de Incentivo e captação de recursos. O projeto, entretanto, precisa do apoio de empresários da região para se viabilizar. As empresas que declaram Imposto de Renda sobre o lucro real poderão destinar até 2% do que pagam de IR ao projeto e terão sua marca vinculada à iniciativa, ganhando visibilidade e respeito da comunidade.